Adenóide e Síndrome do Respirador Oral, com o médico Fabiano em Ceres - Jornal Populacional
Sexta-Feira, 03 de Julho de 2020

Adenóide e Síndrome do Respirador Oral, com o médico Fabiano em Ceres

Publicado em 15/07/2014 às 10:09

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As afecções da tonsila faríngea (adenóide ou tonsila de luschka) são das mais frequentes na população pediátrica, principalmente na faixa pré-escolar. Dentre as suas complicações e sequelas devemos salientar a respiração oral, o distúrbio respiratório do sono, as otites secretoras, as rinossinusites etc.

 

A tonsila faríngea (Figura 1) faz parte do anel linfático de Waldeyer, da qual fazem parte também as tonsilas palatinas (amigdalas), as tonsilas tubárias e a tonsila (amígdala) lingual. Estas estruturas são formadas pelo tecido linfático associado à mucosa (MALT, Mucosa Associated Lymphoid Tissue).

 

A adenóide aumenta de tamanho durante a infância em resposta a uma série de estímulos como vírus, bactérias, alimentos, irritantes ambientais. Mais tarde, no início da puberdade há uma tendência de involução desta estrutura.

Apesar de ser um órgão relacionado com a imunidade das vias aéreas, paradoxalmente é foco de infecção. Quadros virais com infecção secundária são frequentes e parecem desencadear o início das doenças crônicas.

 

Na adenoidite aguda (infecção da adenóide) há presença de secreção nasal, febre, e pode acompanhar sinusite e otite. Há aparecimento de roncos e obstrução de vias aéreas de início súbito. A tosse é muito frequente. O tratamento é com antibiótico para as infecções bacterianas e a cirurgia (adenoidectomia) na adenoidite recorrente.

 

O aumento da adenóide (hipertrofia adenoideana) pode causar disfunção da tuba auditiva e otite média, rinossinusites, alterações vocais, desarmonias do crescimento e desenvolvimento crânio facial, disfagia, distúrbio do sono e, consequentemente, uma importante repercussão na qualidade de vida da criança. A hipertrofia adenoideana leva à obstrução nasal e, portanto, resulta em respiração oral, desenvolvendo-se o que se conhece comumente por “fácies adenoideano” (Figura 2).

A endoscopia nasal ou nasofibrofaringoscopia é o método de escolha para a avaliação da adenóide.

O tratamento do aumento adenoideano clássico é a adenoidectomia. Os efeitos da adenoidectomia na integridade do sistema imunológico parecem ser insignificantes.

 

Recentemente, tem–se tentado tratamentos clínicos com uso de corticóides tópicos nasais mostrando redução do tamanho adenoideano em 4 a 6 semanas de tratamento. Entretanto não é conhecido se seu efeito é duradouro a longo prazo.

 

As neoplasias da nasofaringe são incomuns em crianças, mas podem se manifestar com aumento súbito da adenóide e amigdalas causando obstrução das vias aéreas superiores. Nesse caso a adenoamigdalectomia é diagnóstica.

 

As características faciais dos “respiradores orais são”: maxila atrésica, protusão de incisivos superiores, mordida aberta e cruzada, eversão de lábio inferior, lábio superior hipodesenvolvido, narinas estreitas, hipotonia da musculatura perioral (Figuras 2 e 3).

Além das alterações craniofaciais os indivíduos com respiração oral também apresentam alterações dentárias, alterações musculares, distúrbios do sono (ronco e apnéia), déficit de crescimento, sintomas neurocognitivos (hiperatividade, comportamento rebelde, isolamento social, problemas de aprendizado e atenção), problemas cardiovasculares (insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar, hipertensão arterial), enurese noturna (urinar durante o sono), infecções de repetição.

 

Crianças com obstrução das vias aéreas superiores e apnéia apresentam um consumo maior dos recursos de saúde, principalmente abaixo dos 5 anos. Isso se deve ao número de internações, frequência a serviços de urgência e especialistas, e pelo grande uso de medicamentos. Crianças submetidas à adenotonsilectomia reduzem o custo anual em 20%.

 

Marque consulta com o Dr. Fabiano Santana Moura atende na clínica otorrino, Rua 3 nº 45, centro, Ceres. Telefones: (62)3307-1615 / (62)3307-1004

  • FONTE: Neto, SC. et al. Tratado de Otorrinolaringologia. 2ª ed. São Paulo: Roca, 2011.

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