Confusão envolve PMs em suposta agressão na Vila Pedrosa em Ceres, diz moradora - Jornal Populacional
Segunda-Feira, 17 de Junho de 2019
  • Confusão envolve PMs em suposta agressão na Vila Pedrosa em Ceres, diz moradora

    Publicado em 10/06/2019 às 01:35

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    Na tarde deste sábado (8/6) na Vila Pedrosa em Ceres, uma abordagem gerou muita confusão envolvendo policiais militares e moradores do referido setor.  A reportagem do Populacional, esteve no local na tarde deste domingo (9) e conversou com uma das moradoras que presenciou o ocorrido.

     

    A moradora que pediu para não ser identificada, até mesmo por medo de represália, vamos utilizar apenas a sigla. G.L.S, que segundo ela, pela manhã estava acontecendo uma ação de limpeza, da qual participavam os moradores, o Grupo Ação do Cidadão e a prefeitura. A ação foi organizada pelo presidente da Associação do setor Frederico de Oliveira e pelo presidente do Grupo Ação do Cidadão, Robson Ferreira., isso de acordo com a entrevistada que também participou na parte de cozinha.

     

    Após todos realizarem a ação de limpeza, foi servido um almoço a todos ali presentes por volta de 12h. A moradora relata que várias pessoas que ajudaram na ação da limpeza após o almoço, já haviam se retirados para suas casas.

     

    A entrevistada contou que um veículo Chevrolet Onix de cor prata, chegou ao local e saíram de dentro dele, dois policiais militares fardados e dois à paisana. G.L.S, disse que os policiais estavam atrás de um suspeito de tráfico de droga, que segundo ela, estava no local na hora do fato. Ela falou também de um VW Gol Bola de cor branca, mas ela não soube precisar o motivo do carro parado ali na vila.

     

    Assim que os policiais começaram a abordar as pessoas ali, o Gol se aproximou dos policiais, ela também não soube informar quantas pessoas estavam dentro do Gol, que ficaram somente olhando.

     

    G.L.S, informou que os PMs, na abordagem pediram que todos ficassem parados, um dos policiais apontou a arma no rosto dela e também no rosto de uma outra mulher esposa de um comerciante.

     

    Um garoto de 14 anos se assustou e saiu correndo, G.L.S conta que um dos policiais à paisana colocou o menor para deitar no chão, um outro morador que é deficiente, segundo G.L.S, um policial deu um empurrão no peito dele [morador] que se assustou, o policial pediu para que ele deitasse ao chão, o morador não deitou, G.L.S, conta que o policial deu uma rasteira no morador deficiente o jogando pelo chão e após, dando dois chutes nele.

     

     A mãe do adolescente de 14 anos correu para proteger o filho ao vê-lo no chão, o policial, segundo G.L.S, chegou a empurra-la e agredi-la com um tapa, e em seguida o PM levantou a mão para dar um coronhada na mãe do adolescente, e que só não deu porque ficaram gritando para não bater. Contou G.L.S.

     

    A moradora aflita, conta que foi pra cima dizendo que ele é deficiente e o outro é uma criança. Um outro policial também à paisana pedia calma naquele momento, a moradora disse como que teria calma, isso está errado.  A moradora relata que o suspeito que a polícia procurava foi detido, dizendo que se tratava de um suspeito de tráfico de drogas, e pediram desculpas a ela.

     

    A moradora indignada disse aos PMs, “vocês tem que pegar é ele, não bater em deficiente”. A moradora conta que os PMs recuaram, perceberam que estavam errados, e logo adentraram no veículo com o suspeito e foram embora. Assim contou G.L.S.

     

     

     

    Após isso, chegou uma viatura da PM com mais dois militares, G.L.S. falou que um deles estava muito agressivo e que o presidente da Associação do setor foi falar com o policial, que ele [policial] meteu a mão no peito do representante do setor, o empurrando. G.L.S. conta ainda que esse policial que estava agressivo disse ter jogado Spray de pimenta no rosto de alguns ali, inclusive disse a moradora que atingiu os olhos de uma criança de dois anos que estava nos braços da tia.

     

    Os moradores do setor, de acordo com G.L.S. ficaram muito revoltados com a situação, os policiais foram embora.

     

    G.L.S. disse que ligou para o Conselho Tutelar, dizendo o que teria acontecido no setor e as supostas agressões por parte de alguns policias militares.

     

    Ao finalizar a entrevista, a moradora falou que os policiais voltaram e pediram desculpas ao representante do bairro Frederico de Oliveira pelo que aconteceu.

     

    Polícia Militar

     

     

    A reportagem entrou em contato por telefone com Fernando Dias de Borba, (Capitão Borba) da Polícia Militar (PM).

     

    Ele disse em áudio que ainda não conversou com o pessoal que estava na ocorrência, mas que faz questão de passar como de fato aconteceu. O capitão enviou a reportagem uma narrativa da ocorrência.

     

    Veja na íntegra a narrativa da Polícia Militar

     

    A narrativa diz o seguinte: em apoio ao Conselho Tutelar na Praça da Pedrosa, conforme determinação do COPOM, deslocamos até o local em apoio ao Conselho que se já se encontrava naquele local, e segundo informação seria abordagem policial anterior naquela localidade, porem foi verificado que se não tratava de menor e sim de uma pessoa aparentando deficiência especial. Diante do fato, tomamos conhecimento do fato ocorrido, que se tratava de ocorrência anterior, que policiais militares de Uruana em andamento de ocorrência, em andamento advinda daquela cidade (Uruana) e que havia feito a detenção de um possível traficante de droga naquele local e pediram apoio da RP de Ceres, pois populares que ali se encontravam tentando resgatar o detido onde foi necessário o uso de gás de pimenta para conter os ânimos evitando o uso seletivo da força. Assim diante do fato foi orientado que o Conselho procedesse o registro do fato para as devidas providencias.

     

     

    O capitão, disse que amanhã (10) será feito um esclarecimento deste fato no Jornal das Onze da Rádio Legal FM 101,9.

     

    Delegado Matheus Costa Melo

     

    A reportagem também falou com o delegado Matheus Costa Melo, segundo ele, neste fato não havia nenhum agente e escrivão da Polícia Civil envolvidos nesta ocorrência e que eventuais abusos praticados pelos militares serão encaminhados a corregedoria para apuração.

     

    Segundo um agente da Polícia Civil, o suspeito de tráfico de drogas que foi detido pela PM, foi liberado por não encontrar nada com ele.

     

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